sábado, maio 12, 2007

Tio Zeferino

(Tio Zeferino, foto capturada no blog da RM)

Li na Rosamaria, que ontem completou 35 anos do falecimento do tio Zeferino.
Comentei que era inevitável lembrar dele e não lembrar dos passeios de carro aos domingos, assim como assistir aos jogos do Grêmio e não lembrá-lo. Outra coisa que sempre me recorda o tio é comer pão doce. Aqueles pães com cobertura de creme e açucar colorido. Eu adorava tomar café da tarde na casa da tia Suely por causa dos pães doces!
Passear de carro aos domingos! eu adorava ser convidado para estes passeios. Cruzávamos Lavras, da Gruta ao Passo das Tropas (coisa mais antiga, hehehe, hoje é a avenida Cel. Galvão), do Paredão ao parque de exposições. Íamos eu, o Toninho e mais alguns netos dele. Era uma diversão só!
Quando assisto aos jogos do Grêmio sempre lembro, também, uma certa tarde, depois do banho tomado, que ganhei uma nota de Cr$ 50, novinha, de meu pai. Confesso que não faço a mínima idéia do poder aquisitivo deste valor a época. Na verdade, nem vem ao caso. Em seguida fomos visitar o tio e a tia, pois eles haviam retornado de Santa Maria. No dia seguinte haveria um GreNal. Eu, gremista, o julgava um colorado. Ao cumprimentá-lo, perguntei ser ele era torcedor de qual time: Grêmio ou Inter? Ele me respondeu que não torcia para nenhum dos dois, que nem se interessava por futebol. Mas nem ouvi a resposta e na certeza que responderia ser colorado acrescentei:
-"Então eu te compro para o Grêmio!"
-"Se tu tens dinheiro para me comprar, eu me vendo", respondeu ele.
Orgulhoso, meti a mão no bolso e mostrei a nota de cinqüenta cruzeiros, novinha:

-"Claro que tenho dinheiro!" e lhe entreguei a nota.

A partir dali aumentei a torcida azul do Rio Grande!
Ele passou a torcer pelo meu time. Não sei se escutava os jogos pelo rádio (não havia tv em Lavras na época e acho que nem os jogos eram transmintidos ao vivo), não sei se chegou a tanto, mas sei que acompanhava os resultados.A cédula foi guardada por muitos anos em sua carteira.Depois de sua morte, um dia, a tia Suely me chamou até o seu quarto, me recordou a história, contou do carinho com que ele guardava o dinheiro e de sua torcida pelo Grêmio. Ela pegou a carteira dele para me devolver os Cr$50. Ao abrí-la ficou surpresa. Infelizmente a nota havia sumido. Algum tempo depois eu encontrei uma nota igual. E a guardo até hoje.

5 Comments:

At 9:02 PM, Anonymous Anônimo said...

E quem não gostava de passear no Gálaxi novinho do tio????
O Tio Zeferino me lembra jogo de canastra.Quando faltava companheiro para jogar, ele me chamava.E o detalhe, não gostava de perder.Sempre jogava de companheira da mãe Clélia e ele com a tia Sueli.Enquanto eles não ganhavam o jogo não terminava.Nas noites frias de Lavras, voltávamos "quebrando geada" Mãe Clélia e eu.Lembro disso com muita saudades!!!!
Mas uma das características mais marcantes era a de figura pública fiel as suas convicções.

 
At 4:43 PM, Blogger Unknown said...

Zeca

Tenho me emocionado com muita facilidade nos últimos dias e agora não foi diferente.

O pai guardava mesmo aquela nota e cada vez que abria a carteira na frente da gente falava que tinha sido o valor da compra dele para o Grêmio por ti.

Ele andava sempre de vagar, chegava a dar um nervoso em mim, que sempre fui meio elétrica. Nas viagens, eu sempre carregava travesseiros, me acomodava e lia todo o tempo, pq dava até pra contar as tramas das cercas, não passava de 60. Uma vez aconteceu um acidente na estrada de Caçapava, acho que foi qdo morreu o Aldrovando, e ele disse: tb! ele andava à 70 por hora!!!
Com certeza não saí a ele.

Vou parar por aqui, senão não paro de falar nele. Maravihoso ele era!

Bjs.

 
At 3:48 PM, Blogger Telejornalismo Fabico said...

*




ei!
eu menti.
sou colotado roxo.
e totalmente comprável.
agurado lances.


tu deu o dinheiro pra ele mesmo?
mas que guri despreendido.
eu se ganhava um pila já ficava louco pra comprar porcaria.
nunca ganhei essa fortuna toda.
e nunca comprei uma alminha.
:(





*

 
At 4:20 PM, Blogger Ana said...

Que delícia de história!

 
At 2:18 AM, Blogger Unknown said...

Blz amigo bela história.PARABÉNS.
Beijo
Dulcinéia Flamenguista roxa

 

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